quarta-feira, 25 de maio de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Projecto Relógios do Porto

O projecto em questão, elaborado pelas alunas Ana Moscoso e Joana Ornelas, da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, no âmbito da disciplina de Metodologias da Investigação em Design, teve origem na visualização do relógio localizado na Rua de Sta. Catarina, com a ímpeto de promover perante o público, a presença dos esquecidos Gigantes do tempo da Cidade Invicta.
Podemos constatar que, de forma geral, o relógio, é agora na sociedade, um instrumento banalizado, já que grande parte da população possui um relógio pessoal ou qualquer outro equipamento que providencie uma versão electrónica para o mesmo efeito.
De acordo com o livro “As máquinas do Tempo” de Carlo Cipolla, o relógio era sem dúvida um elemento de grande importância social numa altura na qual não era possível que um vasto número de indivíduos possuísse tal acessório. Assim sendo, com o surgimento dos relógios de torre, mecânicos e mais rentáveis do que os seus antecessores, as clepsidras e os relógios de sol, tornaram-se parte integrante da paisagem das cidades.
Consideramos porém que estes gigantes foram traídos pelo tempo que também lhes escapou do controlo, visto que a sua existência, anteriormente grandiosa, caiu não no esquecimento mas na simples e crua indiferença.
Embora as badaladas poderosas se façam ouvir no topo das torres, a sua história foi apagada das mentes das pessoas que tomam a sua presença como adquirida, não pensando por hipótese alguma, na história que levou aos seus nascimentos e na missão que lhes foi incumbida para uma suposta eternidade que no fim se revelou apenas como mais uma efemeridade.
Foi com o intuito de fazer justiça aos esquecidos gigantes do tempo que surgiu o objectivo prático deste projecto: Promover o interesse pelos relógios de Torre como elemento integrante de edifícios/monumentos turísticos icónicos.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Relógio dos Paços do Concelho
Sobre o edifício:
A Câmara Municipal do Porto esteve, ao longo dos anos, em muitos edifícios e actualmente está no novo Paços do Conselho. A sua construção começou a 1 de Fevereiro de 1916, com a coacção da primeira pedra e terminou em 1957. No ínicio, o arquitecto responsável era António Correia da Silva. Porém foi substituído pelo arquitecto Carlos Chambers Ramos, director da escola superior de Belas-Artes do Porto, após o recomeço das obras em 1955, pois estiveram algum tempo paradas, apesar da urgência. A sua inauguração foi a 24 de Junho de 1957.
Formado por uma cave, seis andares e pátios interiores, o edifício ocupa uma área de 2.438m2. O mesmo está circundado por arruamentos: praça da Trindade, praça General Humberto Delgado, rua dos fenianos e rua António sardinha. No centro, possuí um torreão de 70m de altura, onde se situa o relógio, e, mais acima, quatro temperes, cada um com duas colunas doridas. No topo, como fecho, há um remate metálico.
É ainda importante referir que para a construção deste edifício, o primeiro arquitecto inspirou-se nos palácios comunais do norte de França e da Flandres.

Sobre o Relógio:
O relógio existente na torre do edifício Paços do Concelho é eléctrico de carrilhão e foi fornecido em 1957 pela Sociedade Electron, Lda., de Viana do Castelo.
Relógio da Torre dos Clérigos
Sobre o edifício:
A igreja dos Clérigos foi fundada a 31 de Maio de 1731, sendo o arquitecto responsável pela construção, Nicolau Nasoni. Esta foi construída primeiro que a casa dos Clérigos, que ligava a capela-mor à Torre. A primeira pedra foi colocada a 2 de Junho de 1732, sendo aberta ao culto 16 anos depois. Porém, só por volta de 1758, é que as obras foram concluídas. A sua sagração fez-se a 12 de Dezembro de 1779, na presença do bispo D.Frei Rafael de Mendonça.
A planta da igreja tem forma oitava no exterior e elíptica no interior, à excepção da capela-mor. A sua entrada principal é lateral e o seu acesso é feito através de uma dupla escadaria de balaústres. No interior da construção a única nave existente é elíptica e está ''entalada'' entre dois blocos rectangulares: a capela -mor e o que constituí a fachada.
A Casa dos Clérigos teve como arquitecto responsável Manuel António de Sousa e foi construída entre 1753 e 1758.
A Torre dos Clérigos foi a fase final da obra. Foi construída entre 1750 e 1763, e teve como responsável o mesmo arquitecto que se responsabilizou pela construção da Casa dos Clérigos. Esta construção assenta numa base de 7,73m por 8,15m, e tem de altura 75,60m.
O edifício possuí dois corpos, sendo o primeiro de quatro andares e o segundo de dois. Na torre existem, actualmente, dois campanários com cinco sinos, sendo o das horas (central), o maior. Desde o ínicio que a torre foi utilizada como telégrafo comercial, referência à navegação e relógio da cidade. É uma das marcas características da cidade do Porto.

Sobre o relógio:
Colocado após o termo do cerco do Porto, o relógio existente na Torre dos Clérigos, pertencia ao convento dos Loios. Sabe-se que em 1932, terminado o cerco, pensou-se em que destino dar ao relógio do convento, que entretanto ficara devoluto. Então, D.Pedro IV, como regente e em nome de sua filha, determinou que o melhor destino seria colocá-lo na Torre dos Clérigos. Após a decisão, fez-se os preparativos indispensáveis para a transferência do mesmo. Depois da sua reparação, foram entregues as chaves do relógio à Irmandade dos Clérigos, com o encargo de velar pela conservação do mesmo. Posteriormente à sua colocação, a Torre passou a ser utilizada como relógio da cidade. Porém, algum tempo depois, o relógio ficou em mau estado e não funcionando, a máquina não passava de um encargo e de uma vergonha. Por isso, pediu-se à Câmara que o substituísse, o que foi negado. A Torre, por esta razão, só voltou a ter relógio recentemente, graças ao seu activo e zeloso vice-presidente, o cónego da Sé: Doutor A. Ferreira Pinto.
Relógio da Sé do Porto
Sobre o edifício:
A construção do edifício da Sé começou após a tomada de Lisboa, em 1147, e ao longo dos tempos foi sofrendo diversas alterações.
A igreja tem planta em forma de cruz latina e está dividida em três naves, sendo a central mais alta e larga. Os arcos que as separam são ligeiramente apontados e assentam em pilastras fasciculadas. Ao fundo da nave central, sobre um arco de volta perfeita, está o coro-alto. Nos lados desse mesmo arco, existem pias de água benta feitas de mármore vermelho, mandadas vir de Lisboa pelo bispo D.João de Sousa. Nesses lados, encontram-se, também, portas de acesso às torres e ao coro. As naves laterais são cobertas por abóbadas apontadas e o transepto possuí uma cúpula poligonal artesonada, obra encomendada pelo bispo D.Rodrigo Pinheiro, que sustenta a torre lanterna, coroada no seu exterior por ameias quinhentistas. A Nave central é iluminada pela rosácea e por frestas, lateralmente.
A cabeceira da igreja, por volta de 1606, foi substituída a mando do bispo D.Frei Gonçalo de Morais pela capela-mor e no transepto, a capela à esquerda foi substituída pela actual capela do Santíssimo.

Sobre o Relógio:
A torre sul costumava ser a torre do relógio, pois aí existiu o sino do relógio, posteriormente substituído por um relógio mecânico flamengo nos finais do séc.XIV e inícios do séc.XV. Aí funcionou até ao séc.XVIII, apesar de a Câmara o ter retirado em meados do séc.XVII e depois o ter reposto, por carta régia. Por fim, o relógio passou para a gigantesca empena que foi construída entre as duas torres, no tempo das reformas da Sede Vacante de 1717-1741.